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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Auditoria Materna


Não que eu não preze por uma casa limpa...quem não gosta de viver num lugar onde tudo é arrumadinho, limpinho e cheirosinho? Pra ser bem sincera, sei fazer de tudo e suficientemente bem pra que ninguém diga que minha casa é um pardieiro: sei lavar louça, lavar roupa, tirar pó, passar pano na casa e tudo o mais, não suficientemente bem pra ganhar dinheiro com isso, mas suficientemente bem pra ter a vida em ordem.
Mas para as pessoas próximas a mim com transtorno obsessivo compulsivo voltado unica e somente para a limpeza e organização, e que infelizmente são tão próximas a ponto de serem minha mãe e irmã, eu sou mais podre do que telefone de açougueiro! 
E foi numa visita a minha casa onde elas viram um pedaço da minha estante com 30x20 de pó que elas chegaram ao veredito: vivo em um bolso de ogro suado! Sem perguntar se eu realmente queria, ou se eu estava disposta a atestados de incompetência domiciliar, chegaram na minha casa no dia seguinte às 09:00 (teria sido mais cedo se eu não tivesse xingado minha irmã quando ela disse que apareceria às 07:00 de um dia de férias) carregando baldes, vassouras, pás, detergentes, aromatizantes, etc,etc,etc, rindo como se fossem passar um dia na Disneylândia. Talvez a alegria viesse do plano das duas de fazer uma vistoria tão ferrenha, tão ferrenha que seria impossível não encontrar alguma coisa suficientemente suja para me chamar de Fiona, Senhorita Pig, Cascuda ou qualquer coisa assim. 
E a arrumação começou: fiquei eu parada quando elas começaram literalmente a levantar colchões e tirar os móveis do lugar, quase enfartando para empurrar mobílias planejadas (normalmente planejadas pra ficar onde elas estão, só pra lembrar). 
De fato, atrás do sofá e da estante do quarto (onde elas quase morreram empurrando e me cobraram por não conseguir empurrar sozinha) havia pó, óbvio, como não haveria? Mas as duas fizeram questão de listar o que andou caindo para trás dessas mobílias:
- 1 brinquedo de cachorro
- 1 par e meio de chinelos
- 75 centavos
- meu colírio que eu não encontrava faz um tempão
- um duende meio perdido, que já não encontrava mais coisa alguma
- 3 esferas do dragão
- 2 livros da biblioteca de Alexandria
- descendentes dos dois mosquitos que habitaram a Arca de Noé
- meu anjo da guarda tossindo e com ataques de alergia
Sei que depois da tal limpeza, ambas, principalmente minha mãe agora resolveram fazer auditorias internas: aparecem do nada não para tomar café, mas para conferir se o pó continua sendo removido e se existem mais do que 16 pelos de cachorro no chão. Vontade de matar? Só um pouquinho...mas me disseram que xingar a mãe faz crescer cabelo na mão, então melhor não arriscar.
E, falando em anjo da guarda e em mãe, a minha resolveu criar um método infalível (só que não), usado em crianças, para garantir que minha cama ficasse sempre arrumada. Ela me disse que se eu não arrumasse a cama, meu anjo da guarda não saberia que eu já havia acordado, continuaria dormindo e não iria me proteger ao longo do dia.
Por isso que todo dia de manhã eu dou dois tapas no colchão e grito bem alto: BORA ANJO DORMINHOCO, JÁ TÔ DE PÉ!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Gringa em dia de faxina...



Minha mãe nem pode saber que eu fiz uma confissão dessas, mas eu adoraria saber limpar como ela hehehehehe. Mas, apesar de um tipo físico “bom pra lavoura”, sou aquilo que eu gosto de chamar de “alma erudita”. Mil vezes um teatro, um cinema, um belo de um livro grossão assim ó, decorar uma lei, aprender uma frase em uma língua diferente, do que me atracar de pano e balde em qualquer coisa que seja. Nerd, eu sei, mas é a mais pura verdade...

Já mamãe sempre foi fanática por limpeza. Daquelas que lava até a casca do ovo que chega do mercado, se o tempo permitir. Acorda às 06:30 da manhã e a primeira coisa que faz é arrumar a cama. Segunda coisa, tomar banho, passando rodo no box para que não fique “cheio de coisa peguenta”; Terceiro, tomar um café, e nunca, mas nunquinha deixando de lavar a louça logo em seguida “comigo é rapidinho assim pá pá pá pá pá”!

Ela até passou uns bons anos da vida dela me ensinando a “pegar o sabãozinho, esfregar bem direitinho e deixar tudo brilhandinho”. Professora de pré-escola, termina todas as palavras no “inho”.  A mim, só restou dizer que eu “não tava a afinzinho...”. Mas coisa ou outra eu aprendi. Aliás, aprendi de tudo, mas sem aquela excelência que mommys tanto desejou. Eu pego o sabão, esfrego o máximo que consigo, chegando ainda assim em um meia boca e deixo tudo opaco...

Mas, como toda mortal (lê-se, como toda mulher que não ganhou na mega, ou que não chegou exatamente no grau de riqueza material que almeja), tem dia que o caos impera e as coisas tem que ser arrumadas. E chegou o dia de aproveitar aquele sábado de folga para fazer aquela faxina, limpeza, 5s, macumba ou o que quiser chamar:

Primeira coisa: a louça! Ela, que é a única tarefa doméstica desgraçada que aparece a cada 8 horas. Quando a gente não acumula obviamente (falando nisso, tenho que chegar em casa e lavar a minha...). Mas simbora...mp3 nos ouvidos, esponja na mão...The Corrs, prato limpo; John Legend, copo limpo, Irene Cara, noooooosa WHAT A FEEEEELIIIIIING, BEING IS BELIEEEEEEVING!!!!! com direito a girinho na frente da pia e três ou quatro passinhos para os jurados (leia-se jurados os garfos e facas). 

Terminados os passinhos de dança, ops, a louça, varre-se a casa, passa um paninho, tira o pó (atchim), corre na volta da casa com o botão do “bom ar” pressionado (cof, cof, cof). Termina com alguma caixa que está cheia de bugigangas e que eu resolvo abrir para desvendar. Dobra as roupas, coloca-as em cima da cama para guardar. Acende um incenso e um aromatizador de ambientes hummmm. Termina o banheiro. Senta-se e olha em volta: tudo limpinho, cheirosinho, brilhandinho. Se mamãe aparecer, vai me dar um beijo e uma medalha, me chamar de orgulho da mamãe e tudo o mais. 

Mamãe não aparece. Segunda-feira, começa a louça. Terça feira, recolhe-se as pressas as roupas do varal antes de ir trabalhar. Quarta feira, hora extra, não deu para aspirar o tapete. Quinta feira, o chefe me matou a golpe de faca no trabalho, não deu para tirar o pó. Sexta feira, o incenso acabou; Sábado, fui passear, que se dane o mundo e suas convenções. 

Domingo, a buzina na frente do portão. Lá vem ela, reluzente, brilhandinho, mais faceirinha que lambari na sanga. Não apareceu exatamente no dia que tava tudo brilhando, mas come on, é minha mãe, é claro que eu quero que ela me visite. 

Botou o pé na porta, olhou a louça e ficou quietinha, olhou a cama e viu a roupa por cima...ficou quietinha. Sentou olhando para a louça no escorredor. Levantou quase que de sopetão e disse: EU GUARDO PRA TI ESSA LOUCINHA!!!! Com direito a dicas de organização e limpeza.

Eu, que lembro da vassoura, do pó, do WHAT A FEEEEELING e da maratona com o botão do bom-ar da semana passada, só suspiro...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Como se esquivar do trabalho...


Em meio às situações do dia-a-dia que duram uma manhã e uma tarde, fabricando derivados de matéria fóssil que contribuem para o progresso, gringa e seus colegas 1 e 2 precisam carregar alguns galões de água, visto que é comum no meio organizacional que a água acabe e metade da galera se esconda até que o próximo galão cheio apareça ali em um passe de mágica...
Como eram dois os galões, gringa ficou com pena do colega 1 e resolveu ela mesma ajudar e carregar um dos galões de 20 litros, com prováveis 30kg...ao que o colega 1 diz:

- Colega 2, ajuda aí, pega um dos galões, que eles são muito pesados para a gringa...

Ao que o colega 2 responde:

- Bah, estou com café na mão, se eu pegar o galão meu café vai esfriar...

Uau...

Só para constar: invente uma hérnia, mas não culpe seu café!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ela não chega a ser como você...



Gordinho dificilmente passa o mês sem ao menos ouvir uma pérola. Mesmo eu, que vivo fazendo piada do assunto, volta e meia sou obrigada a escutar uns negócios que é preferível até ser surda. Ainda bem que eu já nem dou mais bola...ou será que dou?...afinal de contas eu estou escrevendo aqui né? Ah, sei lá...
Todas as quartas-feiras, uma senhora muito gente boa me faz o grande favor de limpar a minha casa. Enquanto eu estou no trabalho, em meio a papeladas e muitos tec tec tec, a senhora está na minha sala de estar, em meio a paninhos, poeira e coisas que deixam um cheirinho bom no ar.
Devo dizer aqui, senhoras e senhores leitores deste blog, que eu considero essas pessoas verdadeiras santas! Eu não tenho saco para limpar nem a minha casa, que dirá a casa dos outros! Por isso, acho fundamental que as pessoas que contratamos para limpar as nossas casas sintam-se bem onde estão trabalhando, e, acima de tudo, valorizadas por aquilo que fazem! Eu faço a minha parte, tratando de oferecer sempre um ótimo café da tarde para a senhora sempre que eu chego do trabalho. Assim, já aproveito e coloco a conversa com ela em dia.
Em um desses cafés, o papo “dieta” entrou em pauta (nunca pode sair coisa boa disso...).
Foi aí que eu narrei a minha epopéia, com os anos de problemas que se passaram e que fizeram eu aumentar de peso, com a porcaria dos meus joelhos e tornozelos que resolveram ficar de complô e arrebentarem um atrás do outro, me impedindo de fazer exercício até pouquíssimo tempo atrás e aquele blá blá blá todo.
O que ela disse? Mais ou menos isso:
- Ah, mas com o tempo tu volta ao normal, é só se esforçar um pouquinho.
Podia ter parado por aqui né? Mas, como nem sempre a gente consegue fazer as pessoas dizerem só o que é bom pra nós, ela continuou...
- Sabe que a minha filha mais nova também está com problemas de peso...eu digo pra ela maneirar na comida, mas ela não me escuta e continua comendo horrores...ELA NÃO CHEGA A SER COMO VOCÊ, MAS...
Acho que os dois olhos caíram das órbitas e ficaram pulando na mesa. Incrivelmente, eu não fiquei braba, sabe? Ela falou aquilo com uma naturalidade e uma ingenuidade que não teve como ficar braba. Verdade que ela andou largando umas pérolas nas semanas seguintes que também não me agradaram (aguardem os próximos capítulos).
Dizem que todos os dias a gente aprende uma coisa nova... O que eu aprendi naquele dia? Que virei parâmetro para uma situação ruim (shit).

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O importante é que o prato não quebrou...


Eu costumo dizer para as pessoas que no ano de 2010, meu joelho e meu tornozelo se revezaram para me manter parada o maior tempo possível. Quando um pára de doer, o outro arrebenta os ligamentos. Quando eu conserto o ligamento do que arrebentou, o que estava bem começa a doer de novo...e assim sigo a vida. Mas agora, tanto tornozelinho quanto joelhinho estão ficando fortes com 20 sessões de fisioterapia no lombo e logo, logo eles estarão aí pulando mais do que canguru.
Mas...acidentes são comuns. Ainda mais quando o assuntou sou eu. Pensa em uma pessoa estabanada! Como diria meu marido, “não dá pra te largar sozinha um segundo. É eu sair de casa que você se machuca”. Um tombo, um arranhão, uma queimadura, um corte... pelo menos um desses eventos acontece durante as viagens dele a negócios. E dessa vez não foi diferente.

Na última viagem dele, deu aquela vontade de fazer um pratinho light e comer em cima da cama olhando televisão (adooooro!). Grelhei meu bifinho, fiz minha saladinha, enchi um copo de chá gelado e fui indo, faceira, com ambas as mãos ocupadas (não façam isso) em direção ao quarto.

O problema é que eu estou com um problema hidráulico em casa e tem uma goteira saindo da minha caixa d’agua e escorrendo pela parede do meu corredor. Até que eu termine de trocar os canos, tem um time socorrendo o chão (leia-se um balde e muitos panos). Mas volta e meia uma gotinha de água acaba escapando e essa gotinha em questão fez uma pocinha que eu ainda não havia visto. 

Só vi a tal pocinha quando escorreguei nela. Fui me desequilibrando e tentando, do jeito que podia, colocar força no pé em tratamento e balançando o prato e o copo para lá e para cá, para que ele não caísse e nem tivesse comida esparramada pelo chão.

Resultado: abri um “espacato” no chão. Pernas abertas em pleno corredor, pé doendo, prato em uma mão e copo na outra. 

Mas o importante é que o prato não quebrou. Olha pra minha cara e me diz se eu ia ficar jogando comida fora? O tornozelo eu conserto depois...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sonhei com um saco de batata frita...

Juro!!! Sonhei esta noite com um saco de batata-frita! Digo mais: sonhei que estava chorando porque tinha comido um saco de batata frita.  Assim, sem enredo, sem personagens...eu, o nada, e um pacote de batata frita....
O que Freud diria disso? Será que as batatas-fritas são trauma de infância?  Que na vida passada eu fui um tubérculo e quando como batata frita inconscientemente penso que é um ato de canibalismo?
Isso já tinha acontecido outras vezes...uma vez sonhei que estava em um enorme buffet de doces e que servia tudo e mais um pouco. Nunca cheguei a provar nada no tal do sonho, mas me lembro de como me deliciava me servindo. Isso até é explicável, já que eu sempre gostei de doces e essa é a coisa que eu mais tenho que me policiar quando o assunto é comer direito, mas não no caso da batata frita. Eu nem sou tão tarada por batata frita. Gosto,claro, que mortal não gosta afinal, mas se alguém disser para mim “a partir de hoje você nunca mais come batata frita!” eu não morreria tremelicando e pedindo batata frita, não cairia pedaço, não mergulharia numa fritadeira nem nada do tipo...
Sabe o que é isso? A milícia das células de gordura no “corpitcho” aqui metendo tortura psicológica pra cima de mim! Quase como o que aconteceu no Rio essa semana...os traficantes queimaram carros e elas tentaram queimar os meus neurônios!  Jogar culpa mesmo! Mas a minha “Tropa de Apetite” (gostaram do trocadilho, han, han?) é mais forte e vai vencer esses moleques (tu é moleque celulazinha, tu é moleque!)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O encontro da Gringa Avantajada com a Martha Medeiros


Já diziam os sábios: as coisas mais impactantes da vida acontecem quando menos esperamos. Dia normal, acordei normal, trabalhei normal, almocei normal, trabalhei normal de novo. Viva a rotina! Mas eis que no dia seguinte era aniversário da minha irmã, e por isso, aproveitei que estava em Porto Alegre (numa consulta médica normal) para dar uma passadinha no shopping Praia de Belas e tentar encontrar um presente para ela (um presente normal). 

Nunca vi minha irmã pedindo livros. Já eu, além de mandar uma listinha dos livros que eu quero todo santo Natal para todo mundo e evitar assim que fiquem me perguntando o que eu quero, tenho desejos estranhos de morar dentro de uma livraria. Ler desde pequena para mim é normal. Por isso, não poderia ir ao shopping sem passar na livraria (super normal), mesmo sabendo que lá não encontraria nada para a aniversariante.

Chegando perto da livraria com o marido a tiracolo, eis que avisto uma fila gigante, que começava lá na terceira viga do primeiro piso e terminava em uma pequena mesinha no fundo da livraria. “Noite de autógrafos”, pensei. Avistei uma cabecinha branca e por um breve momento pensei em se tratar de Luis Fernando Veríssimo. Mas eis que eu avisto outra pessoa chegando perto daquela mesa para começar o trabalho de dedicatórias infindáveis...NÃO, NÃO, NÃÃÃÃÃO ACREDITOOOO! É Martha Medeiros! A mulher cuja escrita eu me inspiro para fazer esse blog aqui! A mulher a qual eu quero um dia escrever tão bem quanto! 

Dei três voltas ao redor de mim, baratinada. O marido ainda coçava a cabeça, tentando entender o porquê de toda aquela euforia. Precisava de um livro dela a mão e precisava de um agora! Mas peraí...tô numa livraria né? Corri para o caixa e peguei o último livro que ela escreveu. Em seguida corri para a fila.
Enfrentei de tudo: o ligamento arrebentado do meu pé que estava gritando por ficar tanto tempo tendo que se sustentar sozinho, os meus ouvidos querendo um pouco de sossego e tendo que agüentar um grupo de meninas atrás de mim que falavam alto demais, o marido que, mesmo me esperando com a maior boa vontade do mundo, e me trazendo um copo de água (e indo comprar sozinho o tal presente da minha irmã), estava louco de cansado e querendo ir para casa, o meu corpo que estava todo moído, ainda sem aquele banho relaxante e roupa limpa que ele merece no final do dia. Tudo isso fazia parte do normal. Mas hoje, era dia de ignorar o normal e se dedicar ao extraordinário. 

Duas horas e meia de fila depois (só fiquei tanto tempo assim em uma fila para pagar uma conta no Banrisul...mas fila no Banrisul...é...bom...normal!), finalmente falei com ela. O que dizer? O que não dizer? Será que eu diria que ela me inspirava? Será que eu teria a audácia de dizer que eu também escrevo (como dizer para um escritor de verdade que você coloca meia dúzia de palavras em um blog e se intitula escritor?). Será que eu devia dizer que quero um dia escrever um livro? Enquanto falava com ela, ela ia escrevendo...”Para Danieli, um beijo carinhoso, Martha Medeiros”...

Não precisava mais nada...7 palavras...e lá se foi meu dia normal...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A gringuinha também tem as neuras dela...

Algumas de nós ficamos cheias de dedos quando alguém diz que “mulher nunca tá contente com o corpo que tem”. Mas existem alguns episódios que só comprovam essa tese.

Ano de 2008, minha formatura na faculdade. Saímos eu e a minha irmã mais nova, a gringuinha de que eu falei nesse post aqui, aquela mesma, com tudo em cima, cuja pessoa eu nem me atrevo a ficar do mesmo lado em um espelho que é pra não deprimir, apesar de ela dizer que a gente é igual. O objetivo: alugarmos vestidos para a festa. Ela queria um “corpete bem justinho pra usar com calça social, bem bordadinho”. Eu queria “um vestido que não trancasse nas costas de gringa parruda aqui”.

Entramos em uma loja que aluga roupas de festa. Bombando! Muita gente sendo atendida. O jeito foi aguardar num cantinho, até que a loja esvaziasse um pouquinho e pudéssemos ser atendidas com mais tranqüilidade. Foi olhando o movimento que notamos uma menina, provavelmente com a mesma idade que a nossa. Muito bonita, na verdade. Antes que venha algum homem fazer piadinha, eu já chuto para o gol a seguinte verdade: mulher olha muito mais para mulher do que para homem, não vivemos sem uma pequena comparação de vez em quando. Mas enfim, ficamos olhando ela provar um vestido azul turquesa, daqueles hollywoodianos, com fenda na saia e decote nas costas indo até o osso da sambiqueira. Ela ficou muito bonita no vestido. Comentei com a minha irmã:

- Ela ficou bonita com esse vestido, né?

- Ficou sim! Mas também, né? A guria com o rosto bonito, um cabelão preto comprido desses, corpo sem uma dobrinha, seios direitinhos, bumbum no lugar....

De repente, minha irmã parou de falar. Ficou uns 5 segundos sem dizer nada, olhando para a menina de cima a baixo. De repente, ela murmurou, de forma que só eu ouvi:

- Filha da p...

Comecei a rir na hora. Como eu estava estressada com trabalho de conclusão e mais um monte de coisas, além de estar trabalhando na época em uma sala onde só haviam homens, andava desbocada pra caramba. Minha mãe dizia o tempo todo: “minha filha, tu é uma moça. Não foi isso que eu te ensinei”. Depois o stress passou e eu acalmei um pouco. Mas a minha irmã não. Tá, ela até fala palavrão, mas é muito raro eu ver a minha irmã chamando uma pessoa assim, quanto mais se comparando com outras.

- Mas o que houve?

- Ah, eu aqui elogiando, essa guria é uma filha da p... por ter um corpo desses, isso sim. Que ódio!

- Mas criatura, se tu com tudo no lugar fala assim, o que sobra pra mim?

- Ah, me deixa que agora eu deprimi.

Baixou a cabeça. Eu fiquei olhando. Devia estar se concentrando para ver se conseguia fazer a menina inchar, ou ficar com o bumbum furado, ou se rasgar em estrias, tudo pelo poder da mente.

Eu fiquei pasma: cara, eu sempre vi a minha irmã como um corpo a ser seguido hehehehe como eu queria ter nascido com os genes dela!

Fecho esse post com uma e apenas uma palavra, que diz tudo: mulheres...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O diário da Gringa pode virar um livro!


Pessoal! O Diário da Gringa Avantajada está concorrendo ao prêmio Blog Books, onde os blogs mais votados poderão virar um livro.
Como eu já estou escrevendo o Diário com a intenção de transformá-lo em um livro mais tarde, não poderia ficar de fora dessa, não é mesmo? Quero moooooito!
Conto com a ajuda de vocês para votarem! Ajudem aííí´!

É só clicar nesse link aqui ou no link da página aí ao lado!

Ah, e agora o Diário da Gringa tem também um twitter! Acesse www.twitter.com/gringavantajada

Beijocas!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ai meu juelhuuuu...er, quer dizer...meu tornozeluuuuuu



Estava sentindo que meu joelho já estava bem melhor. Conseguia arriscar andar de salto,conseguia fazer um esforcinho aqui e acolá e acreditava que até poderia escapar da fisioterapia. O joelho (que estava de greve, lembram?), talvez por perceber que não tinha mais força contra a minha pessoa, chamou um amiguinho dele que morava mais abaixo:

-Psiu, tornozelo, tá me ouvindo?
- Tô, tô sim! E aí, tá melhor?
-Estou, e esse é o problema. Não vou mais conseguir deixar essa mulher parada. Ontem eu escutei que ela ia retomar a natação.
-Ah, e ela vai mesmo! Ligou para a academia e tudo. A volta tá marcada para sexta-feira.
-Precisamos fazer alguma coisa. Se não, ela não vai mais ficar parada e não vamos mais ter vida mansa. E hoje já é quarta-feira.
-Deixa comigo, joelho! Não sou macaco gordo, mas quebro esse galho para você!

E foi naquela quarta-feira fatídica que o meu tornozelo acabou com a minha semana.
Estava me dirigindo para o almoço, e...bem, sabe como é gordinho quando tá com fome né? É mais apressado que peru fugindo do machado! Sem me dar de conta do perigo próximo, não vi uma falha no asfalto, pisei no buraco, falseei o pé e acabei caindo.
Muito pior do que o mico na frente de umas dez pessoas, foi a dor que eu senti. Gente, sem mentira nenhuma...acho que na minha vida adulta não tinha sentido uma dor dessas...pensando bem, tenho minhas dúvidas que qualquer um dos meus tombos de infância (e não foram poucos, porque eu era muito boca-aberta) tenham me feito sentir uma dor dessas. Ó, pra falar bem a verdade, tenho pena de mim no dia que tiver que parir, porque descobri que quando sinto dor, fico imprestável. Meu corpo entrou num estado de alerta tamanho que na mesma hora “preteou as vista” e eu fiquei branca como um papel, jurei que ia desmaiar. Fui levada às pressas pelos meus colegas para o médico.
O médico tirou o meu sapato e o pé inchou na mesma hora. Fui encaminhada para tirar um raio-x.
Chegando na clínica, dei de cara com o médico que me atendeu na primeira vez que machuquei o meu joelho. Aquele, que disse que eu não devia estar fazendo jump porque não tinha peso para isso. “Se ele disser que eu caí por estar gorda, enfio meu tornozelo goela abaixo dele”, pensei. Mas não, o médico fez todos os exames e viu que o que eu tive foi uma torção feia, um “estica” nos ligamentos do tornozelo (aqui eu faço uma pausa e agradeço pela Proteção Divina. Estou sempre com saltos altíssimos, e, naquele dia, não sei bem o porquê, decidi que colocaria um tênis. Se estivesse de salto, como disse o médico, eu teria rompido os ligamentos e teria que ficar muitos meses em recuperação).
O resultado foi um pé com tala por alguns dias e muita fisioterapia (de novo, argh!). Levei algumas semanas para caminhar sem mancar. Mas estou pronta pra outra.
O joelho e o tornozelo conseguiram...mais um tempo sem exercício. E eu, parada, parecendo até a mais o milagre da multiplicação dos pães, porque tá surgindo bisnaga de tudo que é lado do corpo...mas deixa pra mim...eles ainda vão correr uma maratona!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Filosofias de Nonno

Eis uma das pessoas que mais me faz rir nesse mundo velho sem porteira. Verdade que normalmente esse não é o objetivo dele, mas o homem é uma comédia personificada! E parceria para as melhores fotos (basta olhar para a que ilustra este post.)

Nascido em 1935 em San Giovanni à Piro, na Itália, ele tem um sotaque italiano muito, mas muito puxado.

Depois de muitas e muitas filosofias sobre a arte de ser gringo e as coisas que acontecem com minha família maluquete, foi inevitável pensar: como posso ter um blog chamado “Diário de uma Gringa Avantajada” sem um post sobre ele, o responsável pelos genes que batizam meu blog?

Por isso, seguem algumas das pérolas do Nonno:

- O nome é Umberto. Assim mesmo com “U”, nada de “H”. “Bem coza de braziliano inventar letra que non tem som. Umberto non é cagá (com H)”

- Eta língua enrolada que tem esse gringo. Entende ele quem está acostumado. “Ao invés” torna-se “imesi”. “Imesi o cara ir lá e fazer as coisas direito, fica enrolando, non?”

- O gringo, mesmo com 75 anos, é muito, muito forte. Esses tempos ele embestou que ia derrubar uma árvore que estava doente. Enquanto eu e meu cunhado olhávamos embasbacados, ele derrubava a tal da árvore a golpes de facão! Quando terminou, passou a mão na testa, ofegou, olhou para nós e disse: “non sou mais o mesmo, non?”. Caraaaaaaca, imagina o que fazia antes!

- O homem não tá nem aí para alimentação que preste. Verdade que ele come muita fruta e verdura, mas ele também manda de manhã cedo 5 cacetinhos com ovo e pimentão frito. Isso quando ele não esquenta a janta da noite anterior para acompanhar. Uma vez em meio a um churrasco, quando ele tasquiava um pedaço de carne gorda, minha mãe gritou “paaaai, olha a carne gorda”. Ele respondeu: “Io to com setenta e cinco ani, tu acha que essa altura de la vita io vô me preocupar com infarto????”

- É um homem de fé! Sempre que se assusta ou se indigna, chama por Jesus, o Menino de Deus. Mas, como eu disse, a língua é enrolada e a única coisa que sai é “Meninideuzi”.

-É um atleta! Acorda as 4 horas da manhã todos os dias para andar de bicicleta ou dar uma caminhada. E, depois disso, normalmente nos domingos, aparece às 7hs lá na casa da minha mãe, xingando “o bando de dorminhoco nazionale que só sabe dormi”.

- Pessoas que demonstram interesse em executar um bom trabalhos são chamadas de “interesseiros”, e não de “interessados”: “Aquele rapazi trabalha bem pra caramba, non, é muito interesseiro”.

- “Mussolini era gente boa, non? Dava comida e caderno pra gente...” Sem comentários. Aliás, pesquisas recentes do Instituto Nonno Umberto afirmam com os pés juntinhos que Hitler (ou Hitlero, nas palavras dele) está refugiado há mais de 60 anos no Chile. O nonno tinha seis anos quando os nazistas invadiram a cidade dele, as histórias que ele conta são para ficar horas e horas embasbacado escutando. Mas experimenta largar uma daquelas frases que alguns adoram, do tipo “tinha que dar uma guerra mundial de novo”. Perde o amigo no ato! “Tutto bando de maluco, non saben o que é gúera”.

- Ele não fica pra trás em hipótese alguma. A princípio, você está sempre errado. Mas, caso você consiga um argumento muito bom para convencer o velho, ele sempre fecha a sua frase com “ah claro”. Como quem diz “ah, mas isso eu já sabia”.

- Se houver realmente um cataclisma em 2012, não se preocupe que temos vinho garantido na casa do Nonno. “E toma ligero an, porque vino que non é tomado vira inhagre (vinagre)”

-A sobremesa dele é um pote de salada. Cada um dos membros da família recebe todos os dias 5 pés de alface que ele mesmo planta. Ou como ele mesmo diz: “tu já pegou tua ensalada hoje”?

-Gosta de cantar. Às vezes quando estou na casa da minha mãe, só escuto aqueles murmúrios: annaaannn...orileiii...umumum...toroooo...dá pra ver que é uma música, mas é indecifrável.
-Adora tudo que tenha a ver com a Itália. Uma vez minha irmã presenteou ele com uma camiseta com a bandeira da Itália. Coisa mais linda de ver, aquela baita bandeira no meio da pança do véio. “Nunca mais vou tirar questa camisa”... Chegou bem perto! Usou por tanto tempo que antes da primeira lavagem teve que ser jogada fora por que nem "Vanish" tirava o encardido.

-Não gosta de doce (queria ter puxado essa). A única coisa que come é pudim, ou, nas palavras dele, “bugino”.

- Quer me convencer que eu não preciso emagrecer. “Coloca uma coza en tua cabeça non? Tu é alta e forte como tuas prima da Itália, non pode emagrecer se non fica doente”.

Esse é o nonno e suas filosofias...

Bella Polenta cosi...tcha tcha pum, tcha tcha pum!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Uma família...sete pecados capitais

Essa semana foi o aniversário de 50 anos do meu pai. Como não é todo dia que se comemora meio século de vida, achamos por bem fazermos uma daquelas bem conhecidas festas de família, onde convidamos todos os irmãos, tios, primos, sobrinhos, vizinhos, amigos, gatos, cachorros e periquitos...

Festa bem animada, com a presença ilustre do meu pai e seus 6 irmãos. Minha avó era uma daquelas católicas fervorosas, que achavam que tinha que aceitar todos os filhos que Deus mandava de presente. Pariu 7, sem dó nem piedade. Até que ela segurou bem as pontas, se considerar que o pai dela, com duas esposas, espalhou 29 pelo mundo...

Cada um com características que lhe são bem particulares. Tão particulares que durante a festa, conversa vai e conversa vem, observando cada um deles eu fui obrigada a largar:

- Cara, minha avó pariu os 7 pecados capitais!!!!!

Meu pai disse:

- Que? Como assim???

Eu comecei:

- Filho número 1: muito trabalhador e bom pai de família. Mas, depois que se aposentou, só quer saber do sítio. Sempre que perguntamos como vai a vida ele responde: “uma beleza, acordei hoje com canto de passarinho”. A PREGUIÇA.

- Filha número 2: Doce de pessoa, a menos que seja provocada. Como diz o genro dela: “as coisas estão sempre tranqüilas, chega a sogra e deixa todo mundo louco, é um griteiro, uma brigaçada que Deus-me-livre-guarde”. Quando está brava, estrala os olhos azuis de uma forma que a gente poderia preferir que o capeta estivesse ali na nossa frente ao invés dela. A IRA.

- Filha número 3: Uma mãezona. Gosta muito de se arrumar, já trocou de cabelo algumas vezes na vida. A VAIDADE.

- Filho número 4: O apelido do homem é “bolinha”. Uma vez, na festinha de um ano de uma das sobrinhas se escondeu na cozinha e acabou com a panela de molho de cachorro quente. Comeu tanto que acabou “chamando o Hugo” e adubando todo o jardim da festa. A GULA.

- Filho número 5: O solteiro mais cobiçado da cidade. Uma lábia com a mulherada que até quem convive com ele se apavora. Chuta uma moita, sai 10 mulheres atrás do homem. A LUXÚRIA.

- Filho número 6: Até pouco tempo atrás, a mulher que estava com ele não era necessariamente a que ele queria. Tanto que casou 6 vezes.  A COBIÇA

- Filho número 7: Conhecido por frases do tipo “primeiro a gente junta dinheiro, depois a gente compra”; “se fizer assim e assado, sai mais barato toda a vida”; “pra que gastar com isso” e “não precisa comprar pipoca no cinema. Pipoca aqui é muito cara”. Quem é, quem é, quem é? A AVAREZA.

Todos que estavam ouvindo a história adoraram!! O negócio foi se espalhando de um jeito, que em menos de meia hora eu estava indo de rodinha em rodinha para “identificar” cada um dos pecados.

Passado aquele furor todo, fiquei pensando...se eu fosse um pecado capital, quem seria eu??? Como sou muito dorminhoca, e deixo tudo que é serviço doméstico para a hora que o caos se instala na casa, pensei: a preguiça, né?

Vim saltitando mais faceira do que lambari na sanga para a minha irmã e perguntei:

- Se eu fosse um pecado capital, quem eu seria??

Ela, sem pestanejar:

- A GULA!!!

Filha-da-mãe...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A Gringa e a Gringuinha



É impressionante como de uma única mãe podem sair duas pessoas tão diferentes.


O rosto é o mesmo, quanto a isso não há dúvida, mas quando o assunto é personalidade e físico, gringa e sua irmã mais nova são tão parecidas quanto Dalai Lama e Mussolini.

Não é só o sangue italiano que corre por nossas veias. Sim, ele é definitivamente o mais forte, até por uma questão de grau de parentesco, mas, escondidinhos entre os aminoácidos e letrinhas estranhas que circundam o nosso DNA, gringa e gringuinha tem um tequinho assim de gene alemão, sobreviventes do século XIX, e que fizeram toda a diferença no jeitinho de cada uma.

A mais velha, uma gringa caricata: cabelo preto, pele clara, os olhos...bom, uma cor de mel (ou de “melda”, chamem como quiser), já que o sangue português do pai falou mais alto quando se misturou com os olhos azuis da mãe e a morena dos olhos verdes acabou ficando para outra encarnação (shit). Pernas e braços...bem...fortes... E uma goela alta que quando quer estremece o mundo!

A outra, mais nova, tem uns traços que também são muito italianos sim, senhora! Principalmente a goela, cruzes! Quando o assunto é falar alto, a baixinha não perde tempo. Quando quer, fala tão alto que chega a doer nos ouvidos. Segue depois, os traços iguais aos da irmã ítalo-lusitana: Pele clara, cabelos pretos, olhos “melda”. Vem em seguida, para meu desespero, os traços que foram considerados pelos alemães em tempos mais insanos como os “arianos”: corpo esguio, peitão e bumbum louvando a Deus.

Mas as diferenças entre a “Gringa Avantajada” e a “Mônica Belucci” não param por aí. Vamos agora ao nome que mamãe tão orgulhosamente nos concedeu:

Nasceu a mais velha, mommy deu o nome de Danieli e levou o bebê para conhecer o “Nonno”. Ele olha, pergunta o nome e ao ouvir o nome da criança dá um salto:

- Non, nommo de hommo na crianza! Ma son tutto nazionale!!!

Acontece que o nome “Danieli”, na Itália, dá no mesmo que “Daniel” aqui no Brasil. Da mesma forma que “André” se escreve como “Andréa” por lá. O resumo foi que o véio de início detestou o meu nome “nazionale”.

Três anos depois, nasce a mais nova. De novo, mamãe vai orgulhosa mostrar a cria para o Nonno.

- Qual o nommo da crianza, desta vez?

- É Lucciana, pai.

- Snif. Snif. Nomo igualzinho ao da minha irmã que ficou lá na Itália. Que saudade, que emoçon!

Comparando as duas histórias, eu só digo: “oh no...”

Gringa e Gringuinha podem ser resumidas assim:

Gringuinha: Fecha a boca e emagrece (e vem dizer depois que é barbada)
Gringa Avantajada: trava Cruzadas contra a balança

Gringuinha: Gosta de azul (é mais zen)
Gringa Avantajada: Gosta de preto (é mais chique)

Gringuinha: Me passa a salada.
Gringa Avantajada: Me passa o queijo ralado

Gringuinha: Na minha infância, subi muito em árvores.
Gringa Avantajada: Na minha infância, assisti muito documentário.

Gringuinha: Comecei ontem a ler Crepúsculo.
Gringa Avantajada: É meu terceiro livro da Philippa Gregory...

Gringuinha: Hoje tem festa no Opinião
Gringa Avantajada: Hoje tem festa no Travis! “Travisseiro”...

Gringuinha: Vou me especializar em ortodontia
Gringa Avantajada: Vou me especializar em Gestão de Pessoas

Gringuinha: Se eu fosse fazer outra faculdade, faria Medicina...
Gringa Avantajada: Se eu fosse fazer outra faculdade, faria Direito
Gringuinha: acabou meu perfume Boticário. Tava na hora, tinha ele fazia três anos.
Gringa Avantajada: acabou meu Dolce e Gabanna! Agora eu só tenho mais cinco perfumes!

Gringuinha: Vou a Riozinho...é mais barato toda vida!
Gringa Avantajada: vou a Caxias...cadê meus cartões e talão de cheques?

Gringuinha: Quero conhecer os Alpes.
Gringa Avantajada: New, York, New York...

Gringuinha: “Mana, te contei? Vou abrir um morto na faculdade hoje!”
Gringa Avantajada: Huuuuuuuugoooooooo!

Em suma: Gringa é a colona...gringuinha é uma Rainha da Festa da Uva

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ai meu juelhuuuuuu...a revanche!!!


Lá pelo final do ano passado, como muitos aqui podem lembrar, eu acabei lesionando o meu joelho no meio de uma aula de jump. Jump é para ser um exercício de baixo impacto, mas eu descobri que não é! As articulações continuam recebendo, sim, todo o peso do seu corpo durante o pulo. E coloca um impacto de quase 100 quilos (que eu imagino que seja o impacto de uma pessoa pulando), cerca de 1000 vezes em cima do seu joelho para você ver o que acontece! As reações são as mais diversas: ou ele fica vermelho, ou ele incha, ou ele pára de dobrar, ou, como foi o meu caso, acontece tudo isso ao mesmo tempo.

Mas, após algumas doses cavalares de anti-inflamatório e um discurso do médico plantonista do hospital sobre não poder praticar jump a não ser que estivesse muito magrinha (filho da mãe), joelho véio de tanta tristeza acabou melhorando.

Segunda tentativa de virar atleta: incomodei o meu marido para praticar corrida comigo. Lá fomos nós, parque em Porto Alegre a fora, imitar aquele monte de corredores, ou pelo menos aqueles que se denominam corredores.

Vamos combinar que esse negócio de Cooper é um daqueles momentos da vida humana que, se pararmos para pensar, são um mico sem tamanho! Aquela gente toda com cara de quem tá morrendo, suando em bicas e se puxando para tentar fazer aquela respiração cachorrinho da forma mais correta possível. A vontade que muitos tem, lá no fundo, é a de se abraçar no primeiro poste que estiver na frente e apelar para todos os santos que um guindaste apareça e te tire daquela pista, mas, sabe-se lá o porquê, o pessoal insiste. E eu não podia ficar de fora dessa. Resultado: rosto vermelho (como todo italiano fazendo exercício), “titis” doendo de ficarem pulando dentro da blusa, respiração “puf, puf, puf” (tava de brincadeira quem inventou a história do respira pelo nariz e solta pela boca) e...e...um joelho doendo. Oh no...

E foi piorando...e foi incomodando...até o ponto que eu acabei indo parar no médico de novo, e dessa vez, tive que vestir uma tala que ia da canela à coxa, além de 15 dias deitada. Mais um pouco e eu podia figurar no filme da Múmia, como uma múmia mal acabada ou coisa assim. Diagnóstico: sinovite, inflamação na articulação do joelho.

Agora já não preciso mais ficar com a tala, mas o médico mandou ficar longe de saltos. Mas como é que vou combinar tênis com casaco de inverno? Confesso que isso eu não estou fazendo. E eu aqui, louca para fazer um pouquinho de exercício, mas ao menor sinal de movimentação, o joelho, que eu acho que só pode estar em greve, aperta algum botão de alerta dentro do corpo e já começa a doer, como quem diz “pára com isso, quem manda aqui agora sou eu”.

Descobri que meu joelho sabe ser mais preguiçoso do que eu! Mas ele me paga, ah se me paga.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

As bocas que não ficam fechadas.


Não estou falando das bocas das pessoas que querem emagrecer e que não negam comida por nada nesse mundo. Estou falando das pessoas que, sabe-se lá com que missão vieram ao mundo, mas nunca, nunquinha na vida souberam manter a boca fechada ao verem uma pessoa que engordou com o passar dos anos.

Tempos atrás eu estava conversando com duas colegas minhas de trabalho. Lá estava eu (que sempre tive que me preocupar com peso), a primeira colega (que também sempre se preocupou com o peso) e a outra colega (que, segundo ela, era seca de doer e engordou com o passar dos anos). Todas falando sobre o mesmo assunto: aquela tia-avó, aquela amiga da mãe, aquele tio do marido, enfim, aquelas pessoas que, depois de muito tempo, te olham e dizem: “nossa, mas como você engordou, hein”?

Tem alguns casos que a gente releva, como por exemplo, tios-avós (principalmente os de família italiana), que são de uma época que gordura era sinônimo de riqueza e saúde. Quem aqui nunca teve um desses na volta gritando: “mas como tu tá forte, nena querida, bem gorda e bonita” hehehehehe. Um conceito completamente diferente de hoje, em que sinônimo de riqueza e saúde é fazer lipoaspiração até o ponto que se tenha que tomar banho de perna aberta para não cair ralo do chuveiro abaixo...

Já outros, NÃO TEM DESCULPA! Por que? Por que meu Deus, precisar entrar no assunto que a pessoa engordou? Já viram alguém fazendo estardalhaço, chegando numa festa de família e dizendo: “olha galera, eu to virada numa rolha!!!!” Não né? Então, por que? É uma maneira de sentir melhor ou é por que a pessoa é filho de chocadeira mesmo? O que isso vai trazer a não ser um momento constrangedor, daqueles que dá até pra escutar os grilinhos ao fundo (cri, cri, cri...)

Essa semana, um colega de trabalho foi trabalhar na Bahia e acabou voltando, tipo, 2 anos depois. Veio até minha sala para cumprimentar. Eu sentadinha, naquele frio característico do Rio Grande do Sul, com um casacão de lã, daqueles mais soltinhos abaixo do peito (sim, porque ninguém vai estar a fim de me ver usando roupas tão justas quanto as da mulher gato, vamos e venhamos).

Vem ele e me abraça, pergunta como eu to. To bem, e tu? Ah eu também to bem. Aí ele solta, dando uma leve olhadela para o modelito: VOCÊ TÁ GRÁVIDA???

Cara, foi como ouvir o clique de uma granada abrindo. Logo eu, que estava tão faceira com meus progressos? Tá certo que da última vez que ele me viu, eu não tinha passado por nenhum dos estresses que andaram me fazendo engordar. Mas putz, grávida???

Aliás, se houvesse uma granada ali, eu empurraria a criatura na direção dela hehehe

A única coisa que me restou dizer foi: “não, to gorda mesmo”. Afffff! Momento cri, cri cri...

Nisso, um colega meu ouvindo tudo não se conteve e largou, com aquela delicadeza que dele é bem característico: “ô animal, mulher quando tá grávida faz alarde. Se ela não disse nada antes, era porque ela não estava grávida. Ou tu já viu mulher escondendo gravidez? A vida me ensinou isso.”

Pior que ele está coberto de razão. Sempre que eu vejo uma mulher e desconfio que ela esteja grávida, não pergunto nada e deixo que ela conte. Sempre acontece, é batata, mais hora menos hora ela menciona o “ocorrido”.

Então, para todos os que estão lendo isso, fica a lição: não pergunte se a pessoa engordou, muito menos o que aconteceu pra ela engordar (até porque eu tenho certeza que não foi de propósito). Faz bem para os dentes!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Aiiii...falta muito ainda?

Quando alguém aparece pra mim apertando aqueles pneuzinhos minúsculos e dizendo que está apavorado e que precisa perder uns 2, 3 quilos....eu não devia....MAS EU TENHO VONTADE DE FURAR OS OLHOS!


Parece até que não está enxergando que tem um ser ali, bem do seu lado, que está precisando emagrecer muito, mas muito mais do que aquela pessoa! Ou será que não se dá conta que aquela pessoa está a fim de emagrecer também?

Sempre que eu começo uma dieta, a tal da história do “passinho de cada vez” me deixa muito, mas muito aborrecida. Primeiro, porque bate a culpa em ter chegado a um ponto desses. Segundo, porque é tão complicado perder 5 quilos sabendo que tem mais 10 lá na frente aiiiiinnnn...

Pois eu voltei para a estaca zero...acabei parando com a sibutramina, já que além de ter sido proibida na Europa, causou uma série de efeitos colaterais que eu não queria. Chorava tanto e por qualquer coisa que se qualquer uma das atrizes de “A Casa das Sete Mulheres” chegasse a me ver chorando, diria: “Ah, pelo amor de Deus, de novo não!”. Sibutramina não serviu pra mim...muito efeito colateral para tão pouco resultado. Aliás, nem sei porque eu fui entrar nessa de novo. Na primeira vez, me dei de conta que tinha que parar de tomar aquilo quando, caminhando do trabalho de volta para a minha casa, me bateu de repente, assim, no meio da rua, uma vontade incontrolável de sair correndo. Contive-me em público, mas foi fechar o portão de casa para sair correndo, em zigue-zague mesmo, que era para tornar o trajeto do portão até a porta de casa mais longo. “Quer saber - eu disse - hora de parar”. Infelizmente, dessa vez, o corte nos medicamentos seguiu-se às férias, ao corte de despesas (entenda-se por mensalidade da academia) e à dedicação do tempo livre todinha para os estudos.

Não deu outra...as células de gordura apareceram em passeata, cantando “ó nós aqui tra vez”. A pobre da balança, na última vez que eu subi, deixou de fazer piada da minha cara, porque estava com meio metro de língua para fora, cravando as unhas no chão para agüentar o peso.

Vamos de novo...anotando tudo que eu como para entregar para a nutricionista da empresa.

Exercício físico...Três meses sem atividade física...A essa hora, se isso aqui fosse ainda o século XIX, eu estaria indo para o tronco por preguiça...

A academia...foi pro reles! Todos os dias eu digo que vou fazer uma caminhada, como eu sempre fiz, mas todos os dias eu olho para o MP4 e para os tênis, acabo dizendo que “amanhã eu faço” e pego um livro para estudar. Jesus, lá de cima, já tá olhando de canto pra mim: “mentir é feio, minha irmã”...

Resolução para 2010: anotar em uma agenda de 2011 “perder só mais 3 quilos”. Para chegar lá, ainda falta uma longa estrada, mas espero que eu consiga, porque anotar todos os anos que eu preciso perder 15 quilos virou palhaçada!

quinta-feira, 4 de março de 2010

O “Gene Formiga”, cavaleiro do apocalipse...


Nunca vou cansar de dizer que o culpado por toda essa desgraça que assola as minhas ancas é o desgranido do Gene Formiga! Se ele não existisse, todas as minhas dietas seriam muito mais tranqüilas. Se ele não existisse, eu seria capaz de olhar para um doce lindo de maravilhoso e torceria o nariz. Já pensou que legal que isso seria?

Mas eu não consigo! Caraca, eu não consigo! Eu posso estar inchada, cansada e tomada de lombriga, não consigo deixar de comer açúcar. Cruzes, parece até droga!

E o sem-vergonha acompanha minha família há algumas gerações. Tomemos minha mãe como exemplo, que conta que quando era pequena, minha avó havia feito um pudim de leite para a hora da sobremesa. Reza a lenda que ela viu aquele pudim pronto na geladeira e pensou: “vou pegar umas colheradas embaixo do pudim, comendo pelos cantinhos, a mãe nunca vai notar”. O que ela não contava era que o pudim “implodiria” no momento que ela começasse a retirar os pedaços. Obviamente que sobrou pra ela...

Mas o post é sobre o “meu” gene formiga, passado pela minha mãe. O ano é 1987, na minha festa de dois anos. Tá gravado em VHS, tem imagem!

O bolo havia acabado de chegar (ou melhor, acabado de ser consertado. Meu pai foi pegar ele na doceira, colocou o bolo no banco do carona e quando arrancou com o carro, o bolo veio inteirinho de encontro ao encosto do banco), minha mãe ainda estava dando os toques finais no pobre coitado, quando apareceu a esfomeada da Danieli, cantando parabéns...era uma bela tática não? Distrair os adultos fazendo de conta que estava contente com a festa de aniversário. E foi assim que eu fui me aproximando do bolo, balbuciando uma palavra ou outra, afinal de contas eu só tinha dois anos:

“Palabenzi voxê, nexa data queída”...cantando e aproximando o dedo no bolo...VUPT! Lá estava o dedo inteirinho dentro do doce. Tirava ele ligeirinho, enfiava dentro da boca e gritava “EEEEHHHHH VIVA A DANI!”. É mole? Ainda no vídeo, mostra a mãe numa tentativa inútil de cobrir o bolo com uma toalha de mesa e eu puxando a toalha com tudo, dizendo para ela não tapar coisa nenhuma, até que ela desistiu e disse “o bolo eu vou ter que tirar daqui, se não até lá a baixinha já fez o aniversário por conta!” hehehehehe. Tudo isso seguido pelo meu avô sentado em uma cadeira de praia e chorando de rir (ou alguém aqui já viu avô passando bronca em neto?) e dizendo: “é, puxou a mãe”. Como quem diz, “o que eu passei contigo, agora tu passa com a tua filha”.

O problema é que esse “puxou a mãe” trouxe conseqüências um pouco maiores para a filha. Afinal de contas, minha mãe sempre foi seca de magra, meu pai diz que aos nove meses de gravidez ela parecia uma jibóia que tinha engolido um boi, pois era só o corpo magrinho e aquela baita barriga. Então, ela podia comer todo o doce que quisesse! Enquanto que eu tinha, além do gene formiga, o gene das “prima grande e forte da Itália, non” e isso foi é que foi o problema. Toda colher de doce saía da goela direto para a “pochete”! Onde é que meu genoma estava com a cabeça quando fez uma combinação dessas pra formar a minha pessoinha?Esse gene formiga ainda acaba comigo...por hora, tenho que me dar por contente por ele não caminhar sozinho ou me acordar no meio da madrugada! Se ele fosse um pouco mais atentado, a essa hora eu estaria comendo a porta da geladeira!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pé de pato, mangalô, trêis veiz!


Não convencidos de que a fórmula “feche a boca e malhe o bumbum” é realmente eficaz, são muitas as pessoas que apelam para o caminho mais fácil...o mundo da mandinga! Quem é que nunca escutou uma simpatia, uma “receita infalível” para perder uns quilinhos? Como eu já disse pra vocês, peso é uma coisa que eu controlo desde a infância e infância é uma época que a gente acredita em qualquer coisa.

Lembro de quando era pequena, que comecei a folhear uma revista sobre simpatias que a minha avó tinha comprado. Em um trecho da revista, dizia assim: “se você deseja emagrecer, na manhã de sexta-feira da lua minguante, logo ao levantar, encoste sua barriga em uma parede e diga: parede, paredinha, dá a tua barriga que eu te dou a minha. Repita três vezes”. E lá foi a trouxa, na manhã de sexta-feira, abraçar uma parede. Cena ridícula, eu curvada para trás, para me certificar de que toda a barriga estava encostada na parede do quarto. Nem minha barriga diminuiu, nem a parede pareceu criar qualquer tipo de calombo ou umbigo fundo.

Outra memorável foi quando apareceu um charlatão na televisão, no programa que minha avó olhava todos os dias, dizendo que havia sido abduzido por extraterrestres (?) e que eles estavam interessados em ajudar as pessoas na Terra a emagrecer (?). Por isso, devíamos todos os dias parar na frente de um espelho (?), dizer onde queríamos emagrecer (??) e pedir para os extraterrestres levarem embora (????). Agora me digam, se de fato existe vida inteligente fora da Terra, pra que cargas d’água eles estariam interessados na mais pura banha humana? Vão fazer algum experimento com fritura, por acaso? Mas não me perguntem porquê eu ignorei esta parte e acabei começando a ficar na frente do espelho, apertando minha papada, meus bracinhos gordinhos, minhas coxas, minha barriga, tudo que eu queria que fosse levado pelos meus amiguinhos verdes. Em algum lugar desse universo, eu tenho certeza que algum extraterrestre estava se mijando de rir ao ver a minha situação. No final das contas, nem ET, nem lobisomem, nem vampiro, nem monstro comedor de sebo e nem mesmo duende da Xuxa levou a banha toda embora.

Ah, e não vamos esquecer da simpatia de Chico Xavier, psicografada e enviada ao mundo todo, porque os espíritos estavam muito preocupados com a tristeza das pessoas causada pelo excesso de peso. O Espiritismo sempre ensinou que temos que nos aceitar como somos e lutar pelas provas que passamos na vida. Mas nããããão! O que correu o mundo todo foi bem diferente! E atenção, hein, faça direito porque os quilos que vão embora com isso não voltam! Coloque dentro de um copo de água, diversos grãos de arroz equivalentes aos quilos que você quer perder (tive que me controlar para não mergulhar um saco de arroz inteiro). Depois, repasse a simpatia para o mesmo número de pessoas (se você quer perder 8 quilos, coloque oito grãos no copo e repasse para 8 pessoas). Isso é o que eu chamo de corrente na era pré-internet! Quase como aquele e-mail do “repasse isso para 23 pessoas, se não você vai ganhar 20 quilos”. Até onde minha sabedoria alcança, e-mail não tem caloria, mas tudo bem. Mas, voltando, à vaca fria, o fato é que eu fui lá, coloquei os benditos grãos de arroz no copo com água, repassei as benditas cópias e fiquei lá, tomando aquela “água de arroz” braba por três dias, para no final, comer os grãos de arroz do copo. Pensa em um arroz empapado...não dava para ter colocado um temperinho, um caldo knorr que fosse? Final da história: comi o pior arroz da minha vida e não perdi um grama sequer.

Vida de quem quer emagrecer é essa: a gente come, a gente chora, a gente reza, a gente paga mico, a gente banca o ridículo, a gente continua avantajado! São longuinho, são longuinho, o trabalho agora é diferente: se você DER CABO desses quilos todos eu dou três pulinhos!


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Dia 02/12/2009 – Nada na vida é de graça


Desde que comecei a tomar a sibutramina, comecei a sentir uma secura horrível na boca. Terminava de tomar um copo de água, aquela sensação de sede já aparecia de novo. Li na bula e vi que esse realmente é uma das reações adversas das “balinhas”. Mas não sabia que isso traria uma conseqüência para a minha saúde. Foi durante um exame periódico do meu trabalho que a dentista me perguntou se eu estava tomando algum medicamento. Avisei que estava tomando sibutramina e que sentia, sim, secura na boca. Foi com alguns exames que ela viu: “é, essa diminuição da saliva acabou abrindo uma cavidade aqui.”

Ah, não, cárie não! Dentista não! Aquela salinha com música ambiente e o som atormentador de uma broquinha ao fundo. Pior ainda quando o barulho da broquinha sai da sala de recepção e vai parar dentro da sua boca!

Ela pediu que eu realizasse alguns raios-x, para mostrar à minha dentista e ela fazer as reparações necessárias. Como minha irmã estuda Odontologia, liguei para ela e perguntei se ela não tinha como me atender na faculdade.

- Claro, mana, aparece aqui às 15hs. Se você vier hoje à tarde, não tem custo.

Beleza! De graça até injeção na testa né?

Han, como se alguma coisa na vida viesse de graça. Cheguei no prédio da Odontologia, encontrei minha irmã vestindo um jaleco, um par de luvas e uma touquinha. Com ela, uma professora e umas seis pessoas.

- E aí?

- Opa, tudo! E essa gente toda?

- Cadeira de Radiologia. Vamos te usar de cobaia, por isso não te custo.

Devolvi os olhos para as órbitas. Quer dizer então que vai ter uma galera na minha volta enquanto eu tiro o raio-x? Ainda bem que dos meus dentes eu não sinto vergonha.

Os estudantes puseram em mim a proteção de chumbo (que me fez entender a expressão “isso aqui pesa que nem chumbo”) e me sentaram na cadeira. A professora disse:

- Já que a solicitação dela é para quatro dentes, cada um de vocês faz um.

Encarei o desafio. E me senti o verdadeiro boneco de testes. Até sabia que podia ser uma aberração de vez em quando, mas aí para ser objeto de estudo a coisa era bem diferente. Uma das meninas posicionou o filme nos meus molares. Fiquei lá, sentada na cadeira de dentista, com dois centímetros de maxilar empurrados para a frente, os dentes segurando uma abinha do material de raio-x, a cena mais linda de se ver. Os estudantes ali, homens e mulheres, encarando tudo com a maior naturalidade. Enquanto eles grudavam a cara nos meus dentes, como quem tenta encontrar o Wally em um livro, meus sentimentos se confundiam com a vergonha e uma quase incontrolável vontade de rir. A professora disse:

- Muito bem, como sabemos que o filme está bem posicionado?

Seguiu-se o silêncio.

- Vamos gente, vocês deviam saber disso. E o ângulo da máquina?.

O silêncio seguiu e as perguntas também. Os nomes que diziam, para mim, foram impronunciáveis. Não dá pra chamar as partes do rosto por “aquele ossinho em baixo do nariz” ou “aquele músculo que segura a boca”? A esta altura do campeonato, eu já estava começando a babar por ficar tanto tempo com a boca aberta. Empurravam minha cabeça para cima e para baixo, tentando arrumar o ângulo. Olhava para minha irmã e via que ela também estava louca para rir, como se por dentro ela estivesse se vingando de tudo que eu fiz para ela durante nossa infância.

Depois de quase uma hora, os raios-x foram tirados. Faltava ainda a radiografia de toda a arcada. Passei para outra salinha, com outro professor e outros estudantes, me olhando como se eu fizesse parte de uma exposição. “Tudo pelo bem da ciência”, eu pensei.

Os raios-x ficaram prontos e foram entregues, não sem antes uma explicação da professora para os alunos sobre a cárie enorme que se alojara no meu dente. E a liçãozinha de moral da minha irmã que: eu estava com uma cárie no 26 a e que aquilo devia ter começado fazia um tempo. “Devia ir no dentista mais vezes, sabia?”. Sabia, mas pensei que dentes grandes fossem mais resistentes ao tempo.

Agora sei como se sentiram os animais que eu examinei nas aulas de ciências...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Dia 24/11/2009 - Enfim, a solução!


Pessoas! Pessoas! Pessoas! Eu encontrei a solução para os meus problemas! Como muitos sabem, o meu maior problema na hora de fechar a boca são os doces, aaaahhh se eu não tivesse o gene formiga! Mas até que eu venho controlando bem, sabe? Quer dizer, bom, booom, booooom, não tá, mas tá bom! Acho que diminuir já é importante.
Mas eis que no refeitório da empresa eu encontro a salvação!
Estava me servindo dos meus potinhos de alface, tomate, cenoura, peixinho e muita sopa de legumes, quando eu vejo ele: o sagu! Normalmente eu não sou muito de sagu, mas o que eles fazem na minha empresa é divino! Ai, ai, ai, e agora, o que eu faço?
Me permiti pegar uma colher de sagu com creme, o segredo era não encher muito o pote, não é? Lá fui eu para a mesa, olhando para a minha bandeja...

- Pote gigante de salada...nota 10!
- Sopa de legumes...nota 10!
- Peixinho grelhado...nota 10!
- Pedacinho pequeno de batata assada...nota 9 (devia ter sido arroz, mas tá valendo)
- Refrigerante zero...nota 10 (vou me dar o 10 porque a médica liberou)
- Colher de sagu com creme...é filha, deu no mesmo que plantar uma flor e fazer um cocozão do lado...

Sentei eu com a minha culpa habitual, mas eu preciso ser mais forte do que isso e me permitir uma sobremesa de vez em quando, ainda mais em pequenas quantidades.


Quando havia terminado a “parte nutritiva” da refeição, respirei fundo para começar a comer minha sobremesa. E então, senta um colega do meu lado. Não conheço ele, são aqueles casos de setores diferentes em empresa grande, ele sentou ali porque tinha um conhecido dele por perto...mas caraca...o coitado tinha um pequeno problema embaixo dos braços...
Asa, cecê, sovaco, cebolinha, chamem como quiser, o fato foi que na tal da respirada fundo que eu dei para comer a sobremesa o que aconteceu na verdade foi que eu embrulhei o estômago. Ele, coitado, nem percebeu o problema. Mas eu, já com o rosto verde-mate, acabei jogando o sagu com creme para o lado e segui viagem.
Depois de me recuperar com um pouco de ar fresco, me dei conta do que havia acontecido...
Se não fosse a possibilidade de “chamar o hugo” no meio do refeitório, poderia até marcar o horário que meu colega chega para almoçar...já pensaram na utilidade?

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