quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vade Mecum, Satanás!


Ganhei de presente do marido um Vade Mecum de Direito! Para quem não sabe, Vade Mecum de Direito basicamente é um livro que reúne as principais leis que regem o nosso país. Propriedade obrigatória de todo advogado, juiz, estudante ou qualquer outro maluco como eu que resolva se interessar pelas leis. Fiquei muito contente, pois como quero até o ano que vem começar a estudar Direito, eu já tenho praticamente todo o material que preciso naquele livrinho. Quer dizer, livrão! Nele existe tintim por tintim de todos esses códigos, leis, decretos, resoluções e tudo o mais que rege as coisas por aqui (e como diz uma amiga minha: “a lei diz tanta coisa...”)

Mas a finalidade do livro não foi exatamente e somente esta...ganhei o livro para puxar mais um pouquinho de coragem para encarar os concursos jurídicos que venho fazendo, porque nesse último que fiz, eu dei uma desanimada. A matéria é difícil? Nem tanto. A prova é estressante? Mais ou menos. É muita concorrência? Bom, sim, mas não é por isso. As palavras que me desanimam é: CONCURSEIRO ENDEMONIADO.

Pessoas que estão apenas estudando para concursos para tentar melhorar na vida, não é com vocês! Vocês são pessoas estudiosas, esforçadas, com meta na vida e prontinhas para ajudar quando se pede. Estou falando é com o filho de chocadeira, maluco, doido varrido, que só tem duas preocupações na vida: mostrar que sabe mais que os outros e mamar na teta do governo, mesmo que essa teta seja na PQP e ele não faça idéia de como se faz pra tirar leite dali! Pessoas que não sabem o que é trabalhar, fazer uma faculdade, curtir um tunz tunz, porque vive para o dia que for funcionário público. Amiguinhooooo, acorda pra vida!

É exagero meu? Algum concurseiro lendo este texto ficou com vontade de me bater? Pois eu digo: tem muito nexo o que eu digo e eu consigo explicar isso narrando os dias que antecederam e o dia da prova do meu último concurso:

Dias antes da prova, fiquei dando aquela última revisada em uma rede social bem conhecida, um orkut da vida voltado só para concursos, onde as pessoas podem, além de adicionar amigos, fazer simulados. Vocês acreditam que algumas pessoas tem a capacidade de colocar em seu perfil uma lista de todos os concursos onde passaram ou foram nomeados? Numa dessas, a lista “eu sou o cara” tava tão explícita no perfil que eu me dei ao trabalho de procurar pelo nome da criatura nos editais dos tais concursos onde ela estava “aguardando nomeação”. Vagas abertas? Duas. Posição do cara? 57. Na traaaaaaaaaveeeeee!

Dia da prova: acordei às 6hs da manhã de um domingo chuvoso. Temperatura na capital gaúcha: 2ºC. Deixa o humor de qualquer um vulnerável. Próximo do prédio da prova, um trânsito desgraçado, ônibus e mais ônibus largando as boiadas de gente no portão. Uma moça bem legal me ofereceu abrigo no guarda chuva dela. Começamos a bater papo, e, vendo que estávamos falando sobre nossos métodos de estudos, mais duas moças começaram a conversar. Foi quando, perguntando sobre o que eu fazia da vida, caí na asneira de dizer que já era servidora. Rapaaaazzz....só faltou colocarem uma fita no meu braço dizendo “já é servidora” e o brasão da República, igualzinho os nazistas faziam com os judeus durante o Holocausto. Chegou ao cúmulo de uma delas perguntar o que eu fazia ali. Talvez elas tenham pensado que, por já ter passado uma vez, eu era concorrência forte, o que não tinha nada a ver, porque as matérias das provas eram completamente diferentes. Pensei em me explicar, mas...contrariar maluco pra que?

Os portões abriram e eu entrei no meio da confusão de gente, caminhando em direção as salas. Olhava para os lados, algumas pessoas estavam com cadernos e blocos de anotações dando aquela última revisada. Captei com minhas anteninhas de vinil uma conversa entre dois candidatos, onde um deles, logo depois da prova, pesquisaria o preço das passagens para um concurso no Acre. O que faz alguém sair do Rio Grande do Sul para o Acre? Contaram pra ele que era longe? E contaram que tem pouca coisa por lá? Ah contaram? Ah bom, my mistake...

Encontrei a minha sala. Me acomodei e dei uma olhada em volta. Gente normal, na minha opinião. Foi quando entrou ele, um rapaz de terno, mochila nas costas, óculos e cara de mau. Encontrou uma cadeira, analisou todo mundo, com cara de “com esse eu me preocupo, com esse nem tanto”, sentou e acomodou milimetricamente sobre a mesa: 2 canetas, 4 lápis (sendo que não havia cálculo na prova), 1 borracha, 1 suco e três barras de chocolate. Sentou, olhou novamente para todo mundo e diretamente para mim, que estava na diagonal dele (very meda nessa hora) não respirou enquanto não veio a prova.

Hora de aplicar a prova: pediram para que eu tirasse minha boina de lã. Vai que saia um papel de dentro do boné e vá parar certinho na frente dos olhos né? Ou vai que eu tenha uma entrada USB na testa que eu queira esconder. Ou vai que o que eu tenho na verdade é uma parabólica captando as respostas da prova e escondida pela boina? Prova entregue, começou o teste: a...b...c...d...e...é a “e”...se bem que essa “d”...COF COF COF COF COF! Minhas sinapses foram cortadas pela menina atrás, que teve um ataque de tosse. Na boa, deu até pena, porque ninguém merece ter que segurar a tosse para não incomodar. Num acesso de bondade, lembrei de uns drops no bolso do meu casaco e pensei em oferecer, pra aliviar um pouco a tosse dela. Chamei o fiscal e perguntei se poderia oferecer. Ele pensou um pouco e disse “humm, melhor não”. NÃO???? Mas por que? Acho que a menina ficou com vergonha, porque depois ela misteriosamente parou de tossir, provavelmente segurando a tosse até criar lágrima nos olhos. Eu sei que de boa intenção o inferno tá cheio, mas a minha intenção foi boa sim. Depois, em casa, eu cheguei a conclusão que o fiscal pensou que eu poderia envenenar a menina com a minha balinha. Mas aí ele forçou né? Imagina a cena...a menina tremelicando envenenada no chão e eu: huaaaahuaaahuaaaaa agora só falta envenenar 27.908 concorrentes huaaahuaaahuaaa!!!!

Acabei a prova e na saída fui praticamente expulsa do prédio para esperar minha carona na chuva, afinal de contas, tinha gente fazendo prova. “Mas eu to aqui na marquise” – disse para o guardinha. “Ah, mas tem gente fazendo prova e você pode fazer barulho”. Candidato tem tudo ouvido biônico, e escuta pensamento, manja?

Cheguei em casa e fiquei esperando por uns dias pelo gabarito. No dia, cinco minutos depois que o gabarito foi publicado na Internet, estava eu fazendo a correção, quando liga um amigo meu: “tu viu como as notas foram altas?”. Eu disse: “Como assim? Como tu já sabe das notas??. Ele: “Entra no endereço tal”. No endereço, havia nada mais nada menos do que um fórum com uns 50 bonecos publicando a nota deles. Acertei 30, acertei 40, acertei na mosca, acertei na mega...CARAAAACA faziam 5 minutos que o gabarito tinha saído!!!!

Foram coisinhas assim que me deixaram meio de cara sabe? Arrancam a motivação de qualquer um...concurso virou uma indústria. O preço das inscrições, das apostilas, dos cursinhos, oh God, as atitudes de algumas pessoas que fazem a prova, quase um bullying hehehe (e que espero eu que não sejam as que são aprovadas, desculpa mas é o que eu penso). O que acontece com o cara que age assim e que acaba sendo nomeado? Será que ele vai ser mesmo o que a gente precisa nesse país ou ele vai se dar por contente por ser servidor e era isso? E pago com o dinheiro que ele tanto reclama que ele tem que dar para o governo para que nada aconteça. Será que as pessoas teriam a humildade que exige uma carreira dessas e saber atender as pessoas que precisam deles? Brasil...il..il...il...

Exorcizem os concurseiros endemoniados! Vou jogar meu livrinho na direção deles e gritar: VADE MECUM, SATANÁS!!!!!

3 comentários:

Clau disse...

Dani é esse o maior problema,ninguém quer saber do trabalho e sim do "emprego" garantido!Não precisa ir longe para perceber pessoas "CONCURSADAS" em cargos públicos sem a mínima noção do que devem fazer.Já vi casos que me deu pena,pois como vc disse só pensam no salário e o resto que se dane!Adoro a maneira como vc escreve.bjus e não desanime não!!!

ArmaZen do Lar by Andreea Mello disse...

Oi Dani !!!
Me divirto muito lendo os teus post...Agora neste em particular me lembrei no último concurso do TRE q.eu resolvi fazer...A FAPA parecia um outro mundo !!!Porém qdo.vou a uma repartição pública e sou atendida por alguém q.aparentemente nem sabe o que está fazendo, me pergunto..."Milhares e milhares de candidatos e este foi o melhor ??"
Abçs
Andreea - ArmaZen do Lar

Lu CY disse...

Sei bem o que é isso... até março desse ano eu era funcionária pública na área de educação infantil e vi muita gente sem noção.
Fora aqueles que fazem a inscrição sem ler direito o edital, passam e quando chegam ao local de trabalho nem sabem o que estão fazendo lá. Vi muita gente pedir exoneração porque tinha que trocar fralda dos bebês do berçário. Aí eu pergunto? não leu o edital, lá dizia qual era a função!!! E foi lá, tirar a vaga de quem poderia se dar bem no trabalho... fazer o que?
Eu troquei muita fralda, dei muito colo, fui feliz no meu trabalho e me esforcei para transmitir algo de bom... muitas companheiras também, mas nem todo mundo é assim, tem sempre uma maçã podre no meio, infelizmente!

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